FAZENDA URBANA

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Mais estiloso do que cultivar uma fazenda em plena selva de pedra não existe.

A primeira vez que me deparei com uma fazenda urbana , urban farming, foi em torno de 2008 no badalado bairro de Greenpoint no Brooklyn – Nova Yorque. Uma área aonde ainda há muitos prédios antigos aonde funcionavam fábricas e que foram transformados em ateliês de artistas. Num desses prédios fica a Eagle Street Rooftop Farm, uma fazenda urbana montada na parte externa superior, no “telhado”, do prédio.

Eagle Street Rooftop Farm

O conceito é tão bacana que a moda pegou e com a crise econômica que atingiu os EUA no final de 2008, muitas dessas fazendas urbanas se proliferaram tanto nas maiores cidades do país norte-americano quanto nas cidades menores cultivando desde verduras, legumes e ervas aromáticas a galinhas, cabritos, coelhos ou porcos. Os motivos para as comunidades ou famílias terem iniciados este tipo de atividade são inúmeros, mas entre eles são a vontade de mexer no solo como relaxamento, consumidores que adoram comida e procuram por ingredientes mais frescos e de melhor qualidade possível disponíveis no próprio canteiro, fator sócio-econômico, o poder em educar e unificar comunidades para construir uma sociedade mais consciente e  saudável através do cultivo de alimentos que retornam para a comunidade seja na mesa ou no bolso.

Brooklyn Farm

Na minha última visita a cidade de Phoenix, em Arizona – EUA, tive a oportunidade de ver como as fazendas urbanas se expandiram. Não esperava encontrar uma horta no meio da calçada na cidade. A horta é cuidada por um brechó com vários vestidos dos anos 60-70 com uma mistura de estampas e cores da Califórnia da época e padrões da tribo Navajo. Este tipo de negócio é bem a cara do Ser Sustentável com Estilo, não?!

 

Brechó em Arizona com Fazenda Urbana

Aqui em São Paulo, por sua vez, existem hortas urbanas implantadas na Zona Leste da capital. Um projeto da ONG Cidades Sem Fome, que já tem 21 núcleos implantados na nossa cidade e alimenta a população de baixa renda e emprega através de projetos de agricultura urbana.

Horta Urbana na Zona Leste de São Paulo

 

 

O relacionamento com o solo na minha família vem de várias gerações. Meu falecido avô sempre teve uma pequena horta no fundo do quintal desde que imigrou para o Brasil. Num Japão pós-guerra, ter um terreno aonde pudesse plantar para alimentar a família era privilégio, já que a escassez de comida era enorme. Então o conceito de atravessar o oceano durante meses com a família para recomeçar a vida num país aonde o solo era próspero, era realmente um sonho.

Minha Fazenda Urbana em SP.

Goya ou Nigauri - pepino amargo, verdura típica de Okinawa - Japão que ainda cresce no jardim de meu avo.

Hoje, meu pai é o que cuida da horta na maior parte do tempo e compartilha as verduras orgânicas que planta com a família. Minha contribuição foi com uma muda de batata roxa e várias flores, mas estou começando a me familiarizar com o plantio de coisas pequenas como ervas aromáticas no meu próprio apartamento antes de partir para a enxada!

Para amadores como eu, a  AAO (Associação de Agricultura Organica) promove cursos para quem quer aprender a manejar o solo ou a cultivar uma horta caseira orgânica e compostagem. Estou louca para encaixar um curso deles na agenda! Quem está interessado ou já participou levanta a mão e diz o que achou!

Aos sábados e domingos no Parque da Água Branca em São Paulo, a AAO coloca a disposição do consumidor a Feira Orgânica aonde podemos além de comprar alimentos orgânicos, tomar um café da manhã feito com produtos orgânicos nas mesas do lado de fora do galpão na compania de galos, galinhas, gatos e pavões. Vale a pena conferir.

Feira Organica no Parque da Água Branca

foto: Dan Goldman

Uma Semana Bem Sustentável com Estilo a todos e até a próxima!

Mua! —–> Liliam.